VÍDEO: Facções, divisa com RN e sensação de impunidade elevam homicídios, diz delegado de Catolé do Rocha
A autoridade policial aprofundou a análise sobre os fatores que influenciam os altos índices de homicídios na região composta por 12 municípios
O delegado Miroslav Alencar, titular da 18ª Delegacia Seccional da Polícia Civil (DSPC), em Catolé do Rocha, aprofundou a análise sobre os fatores que influenciam os altos índices de homicídios na região composta por 12 municípios.
Segundo o delegado, trata-se de uma região que historicamente convive com números elevados de crimes letais. Ainda assim, ele chamou atenção para um dado específico: apesar da quantidade de homicídios, não houve registro de feminicídio no período analisado e apenas um caso de latrocínio, o que ajuda a traçar o perfil da violência local.
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Facções criminosas e disputas internas
Miroslav Alencar destacou que as motivações para os homicídios envolvem muitas variáveis, mas afirmou que um dos principais fatores, “sem sombra de dúvidas”, é a atuação e a rivalidade entre grupos criminosos.
O delegado lembrou uma operação deflagrada em agosto do ano passado, que revelou a complexidade dessa estrutura criminosa. Somente nessa ação, a Polícia Civil identificou cinco grupos criminosos atuando na região, com integrantes tanto em liberdade quanto comandando ações de dentro de presídios.
Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão, em cidades da Paraíba e de outros estados, como Catolé do Rocha, Patos, Juazeirinho, João Pessoa, além de Paulo Afonso (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Capelinha (MG).
“A atuação dos grupos criminosos aqui na região não é de dominação absoluta. Não existe um grupo que controle totalmente os outros. Eles estão sempre em conflito”, explicou o delegado.
Região de divisa facilita o crime
Outro ponto sensível destacado por Miroslav Alencar é a localização geográfica. A região faz divisa com o Rio Grande do Norte, o que, segundo ele, facilita a mobilidade dos criminosos.
“Estamos praticamente dentro do Rio Grande do Norte. Isso facilita muito a atuação de grupos de outras localidades, que vêm, praticam o crime aqui e retornam para suas cidades, e o contrário também acontece”, afirmou.
Reincidência e progressão de regime
O delegado também abordou o que considera um dos maiores problemas da segurança pública no Brasil: a reincidência criminal associada à sensação de impunidade. Ele ressaltou que se trata de uma questão nacional, e não exclusiva da região.
Como exemplo, Miroslav citou o caso de uma mulher presa em dezembro de 2021, em Catolé do Rocha, por crimes de extorsão, envolvendo mais de 15 comerciantes, com uso de golpes e graves ameaças. A Polícia Civil realizou uma investigação intensa, e ela permaneceu presa durante toda a instrução processual.
Em 2022, a acusada foi condenada a mais de 16 anos de prisão. Caso cumprisse integralmente a pena, só deixaria o sistema prisional por volta de 2038 ou 2039. No entanto, houve progressão de regime.
“No dia 22 de dezembro do ano passado, ela foi presa novamente, desta vez em flagrante, por participação em homicídio. Já fazia parte de uma facção criminosa”, relatou o delegado.
Crítica à legislação, não ao Judiciário
Miroslav Alencar fez questão de frisar que não se trata de uma crítica ao Poder Judiciário, que, segundo ele, apenas aplica a legislação vigente.
“A progressão de regime favorece muito ao criminoso. Ao meu ver, esse é um problema nacional. Não é crítica ao Judiciário, que cumpre a lei”, pontuou.
Para o delegado, o debate não precisa passar por temas extremos, como pena de morte ou prisão perpétua.
“Basta que o indivíduo que comete um crime, que nós prendemos e que é condenado, cumpra toda a sua pena. Só isso. Esse seria o maior enfrentamento à impunidade e à reincidência”, concluiu.
Veja a entrevista completa com o delegado Miroslav Alencar:
DIÁRIO DO SERTÃO
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