Estreia em Sousa o filme ‘Fósseis’, obra que une terror, lendas de botijas e crítica social no Sertão
O lançamento da nova produção audiovisual, do diretor e roteirista Maycon Carvalho, será no próximo dia 1º de fevereiro, às 20h, no Cineteatro Professora Dodora, localizado na Fundação Municipal de Cultura

A produção cinematográfica do Sertão paraibano se fortalece com a estreia do filme Fósseis, dirigido e roteirizado pelo cineasta sousense Maycon Carvalho. O lançamento ocorre no próximo dia 1º de fevereiro, às 20h, no Cineteatro Professora Dodora, localizado na Fundação Municipal de Cultura em Sousa. A obra é o trabalho de conclusão de curso do diretor, formado em Rádio e TV pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O curta-metragem utiliza o gênero como ferramenta para refletir sobre a questão agrária e as injustiças históricas vividas pelos trabalhadores rurais do Sertão. A trama acompanha Luiza, uma estudante de Arquitetura que, ao passar o feriado da Semana Santa na casa da família de um amigo em Sousa, começa a ter visões com o espírito de uma criança. O enredo se desenvolve a partir da descoberta de vestígios de camponeses assassinados na luta pela terra, transformando o sobrenatural em uma chave para acessar um passado de silenciamento e violência fundiária.
A narrativa do filme se inspira nas lendas de botijas do imaginário nordestino e na história econômica da região, como a monocultura do algodão. Ao explorar o sobrado da influente família Tenório, a protagonista revela como a arquitetura herdada desses ciclos econômicos carrega marcas de atrocidades cometidas contra trabalhadores. O filme estabelece relações entre o real e o irreal, sugerindo que a agressividade dos conflitos de terra se converte em fantasmas que buscam justiça e reconhecimento.
A escolha estética pelo terror visa criar uma alegoria sobre o ato de escavar, conectando a busca por fósseis à revelação de violências ocultas praticadas por latifundiários. Fósseis busca dialogar com temas universais de memória e poder, inserindo-se em uma tradição do cinema brasileiro que utiliza conflitos agrários como campo de disputa simbólica. A obra evoca referências históricas das Ligas Camponesas e de clássicos como Cabra Marcado para Morrer, reivindicando o Sertão como espaço de elaboração política e estética.
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Do ponto de vista da forma, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre o uso de gêneros populares – como o terror e o realismo mágico – em chave decolonial, deslocando o eixo do medo para fora do circuito hegemônico anglófono e reinscrevendo-o em experiências históricas do Nordeste brasileiro. O horror aqui não se limita à presença de entidades sobrenaturais, mas emerge da própria estrutura social: da assimetria entre quem detém a terra e quem nela trabalha, da precariedade dos direitos, da violência silenciosa que atravessa gerações. Ao fazer da botija um ponto de encontro entre mito e política, entre onírico e material, Fósseis propõe um cinema de gênero enraizado no sertão, capaz de transformar a experiência do medo em exercício crítico de memória e de imaginação social.
Sinopse
Luiza, estudante de Arquitetura, viaja para Sousa, no sertão paraibano, para passar o feriado da Semana Santa na casa de um amigo de curso. Lá, começa a ter sonhos e visões com o espírito de uma criança que a conduz a um sobrado em ruínas e a um antigo poço marcado por ossos e dentes humanos. À medida que segue as pistas oníricas, Luiza descobre que o lugar guarda os rastros de camponeses assassinados na luta pela terra e a história sombria da família dos Tenório, antiga detentora de poder na região. Entre botijas encantadas, ruínas algodoeiras e assombrações patriarcais, ela é obrigada a encarar um passado de violência fundiária que insiste em retornar.
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