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VÍDEO: Colunista cita a bíblia ao falar sobre a crueldade humana no Caso Orelha: “Nada de novo debaixo do sol”

Renato Abrantes diz que há uma tendência recorrente de afirmar que “o mundo está pior”, que “antes isso não acontecia”. No entanto, o colunista lembra que a selvageria sempre encontrou espaço na trajetória humana

Por Luiz Adriano

02/02/2026 às 18h14 • atualizado em 02/02/2026 às 18h19

O caso do cachorro Orelha, ocorrido em Santa Catarina e atribuído a um grupo de adolescentes, provocou comoção nacional. As informações disponíveis e os relatos que circularam nas redes sociais despertaram revolta e tristeza.

Na coluna Direto ao Ponto desta semana, o advogado e colunista Renato Abrantes analisa o episódio para além do fato isolado, e questiona: como se chega a esse ponto?. Para ele, a violência revela algo mais profundo do que a simples transgressão de uma regra: expõe uma ausência de empatia. Quando a dor do outro — mesmo a de um animal — deixa de funcionar como freio moral, “algo muito grave está acontecendo no interior do ser humano”, afirma.

Uma realidade histórica – Abrantes sustenta que, por mais perturbador que seja o episódio, ele não pode ser lido como uma novidade histórica. Há uma tendência recorrente de afirmar que “o mundo está pior”, que “antes isso não acontecia”. No entanto, o colunista lembra que a selvageria sempre encontrou espaço na trajetória humana.

Para sustentar o argumento, ele recorre à história. O século XX, lembra, foi marcado pelo regime nazista e pelo extermínio sistemático de milhões de judeus. Em períodos ainda mais antigos, a Roma Antiga transformava o sofrimento humano em espetáculo, com arenas cheias para assistir a mortes violentas. Guerras da Antiguidade dizimaram cidades inteiras; no Brasil, a ditadura militar deixou marcas profundas de violência e repressão.

“A história não é apenas o relato do progresso”, escreve Abrantes. “É também o registro permanente da nossa capacidade de destruição.”

Caso Orelha – Foto: reprodução/Agência Brasil

Sociedade precisa refletir – Em relação ao caso de Orelha, o colunista chama atenção para um dado decisivo: não foram adultos, mas adolescentes, jovens que ainda estão saindo da infância e que deveriam estar em plena formação moral. Para ele, esse aspecto obriga a sociedade a olhar além da punição e a questionar o próprio ambiente que está sendo construído.

Mais do que responsabilizar os envolvidos, Abrantes defende a compreensão de que a civilização é uma construção frágil, sustentada por educação moral, referências sólidas, presença da família, autoridade legítima de educadores, fé — entendida como força capaz de conter a inclinação para o mal — e uma cultura que ensine, desde cedo, que força não é sinônimo de grandeza.

A reflexão final desloca o foco da indignação imediata para uma responsabilidade coletiva. A pergunta central, segundo o colunista, não é apenas “como puderam fazer isso?”, mas “o que nós, como sociedade, estamos fazendo — ou deixando de fazer — para formar consciências mais humanas?”.

Para Abrantes, a verdadeira medida de uma sociedade não está apenas em suas leis ou em sua economia, mas na forma como trata os mais vulneráveis.

Lição bíblica – A história muda, as tecnologias avançam, mas certos traços do coração humano permanecem. Como ecoa a sabedoria bíblica citada na coluna, “não há nada de novo debaixo do sol”. Ainda assim, conclui o autor, construir uma civilização do amor continua sendo possível.

Caso Orelha – A morte do cachorro Orelha aconteceu na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, no dia 4 de janeiro. O fato causou comoção em todo o país, devido à crueldade como foi praticado.

De acordo com as investigações, 5 adolescentes atacaram o cão de forma cruel e o animal foi socorrido para uma clínica veterinária. Um dia depois, devido ao grave estado, o cachorro teve que ser submetido à eutanásia.

DIÁRIO DO SERTÃO

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