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VÍDEO: Especialistas de Sousa alertam para alta em casos de ansiedade e depressão e perigos do mundo virtual

A neuropsicopedagoga Dayanny Sarmento e a psicóloga Sandra Cavalcante discutiram o cenário preocupante de uma população que apresenta índices crescentes na região

Por Priscila Tavares

31/01/2026 às 19h56

A campanha Janeiro Branco, iniciativa brasileira criada em 2014 com o objetivo de priorizar a saúde mental e emocional logo no início do ano, ganha destaque e levanta debate na região de Sousa.

Em entrevista recente ao programa Cidade Notícia, conduzido por Levi Dantas e Leonardo Alves, a neuropsicopedagoga Dayanny Sarmento e a psicóloga Sandra Cavalcante discutiram o cenário preocupante de uma população que apresenta índices crescentes de ansiedade e depressão.

De acordo com Dayanny Sarmento, essas patologias são as mais recorrentes na atualidade e muitas vezes surgem de maneira silenciosa. A especialista explica que o agravamento do quadro clínico costuma ocorrer de forma gradativa, dificultando o diagnóstico precoce por parte do próprio paciente.

“Geralmente elas aparecem com um gatilho e vai desenvolvendo lentamente, muitos não percebem, quando vêm perceber já estão bastante naqueles sintomas e sinais bem elevados”, afirmou a neuropsicopedagoga.

Um dos fatores apontados por Dayanny para esse fenômeno é a transformação das relações sociais, cada vez mais mediadas por dispositivos eletrônicos. Ela ressalta que a diminuição das interações presenciais tem impacto direto na saúde psíquica.

“O mundo hoje é virtual, é onde a gente olha por uma tela. Hoje a gente não tem tanta comunicação corpo a corpo”, pontuou a especialista, acrescentando que “pessoas com ansiedade, que já têm o distúrbio, que já ficam naquela parte só de virtual, elas acabam tendo um gatilho e desenvolvendo a cada dia mais, subindo os índices de depressão, suicídio, entre outros”.

A complexidade do comportamento suicida também foi pauta do debate, sob a perspectiva técnica de Sandra Cavalcante. A psicóloga explicou que a compreensão moderna sobre o tema exige uma análise que ultrapasse os sintomas individuais, englobando o contexto em que o sujeito está inserido.

“O comportamento suicida é de muita complexidade. Porque envolve, não só a questão da ansiedade — que ansiedade também vem de vários fatores —, mas é uma questão também, essencialmente, cultural. Antes a gente tinha visão, se referindo a suicidologia mais ortodoxa, então, a gente tinha fatores e mostrar os fatores econômicos, psíquicos, etc, tendo em vista que tinha fatores para cada pessoa”, detalhou Sandra.

Para a psicóloga, a abordagem atual, denominada suicidologia crítica, busca desmistificar visões simplistas ao considerar as estruturas sociais como parte do problema. “Na suicidologia crítica já vem desmistificando isso, porque você tem que levar em conta a cultura, a sociedade. O lado social, cultural e até mesmo estrutural”, completou.

Sandra ainda ponderou que, embora a ansiedade e a depressão ocupem um lugar de destaque nas estatísticas da América Latina, o fenômeno não pode ser reduzido a uma única causa isolada.

“Eu não posso dizer que a ansiedade por si só desencadeia um gatilho, mas, como em quase todos os processos, há sim a ansiedade, a questão da depressão que ocupa um lugar importante”, disse.

Sandra Cavalcante chamou a atenção também para um gargalo estrutural que afeta o tratamento dessas condições: a escassez de políticas públicas eficientes. Segundo a profissional, essa deficiência não é uma exclusividade local, mas um desafio compartilhado por todo o Brasil e pelos demais países latino-americanos, o que reforça a necessidade de manter o debate sobre saúde mental em pauta durante todo o ano, para além do período da campanha.

DIÁRIO DO SERTÃO

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