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Com 37 feminicídios em 2025 na Paraíba, delegada destaca importância da medida protetiva como prevenção

Os 37 casos registrados é o maior número em uma série histórica de dez anos. Um dado que chama atenção, segundo a delegada, é que nenhuma das 37 vítimas possuía medida protetiva de urgência ativa no momento do crime

Por Luiz Adriano

03/02/2026 às 12h56

Foto: divulgação/PCPB

A Paraíba contabilizou, em 2025, 37 casos de feminicídio, o maior número registrado em uma série histórica de dez anos. Os dados foram comentados pela coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) no estado, delegada Sileide Azevedo, durante entrevista ao programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão.

De acordo com a delegada, o número representa um crescimento de cerca de 37% em relação a 2024, quando 27 crimes com essa tipificação foram documentados. Até então, os anos com maior número de ocorrências haviam sido 2019 e 2023, ambos com 36 feminicídios. Nos últimos dez anos, a Paraíba soma 335 mulheres mortas por motivos de gênero.

Segundo Sileide Azevedo, os dados reforçam que o problema não é isolado e reflete uma realidade nacional, marcada pelo aumento tanto dos feminicídios quanto dos procedimentos relacionados à violência contra a mulher.

“Precisamos, enquanto sociedade, compreender que a violência contra a mulher ocorre diariamente e nem sempre chega ao conhecimento das autoridades. Quando essa violência não chega até nós para que possamos atuar e fazê-la cessar, ela pode evoluir e resultar em uma situação de feminicídio”, alertou.

Importância da medida protetiva – A delegada destacou que uma intervenção precoce e o trabalho efetivo no momento em que a mulher vivencia a violência doméstica são fundamentais para evitar desfechos mais graves. Um dado que chama atenção, segundo ela, é que nenhuma das 37 mulheres assassinadas em 2025 possuía medida protetiva de urgência ativa no momento do crime.

“Isso aponta para nós um caminho e nos orienta no sentido de que este é um crime evitável”, afirmou.

Ainda conforme a coordenadora das DEAMs, mais de 8 mil medidas protetivas de urgência foram solicitadas em 2025 nas sedes das delegacias, e essas mulheres não foram vítimas de feminicídio, o que reforça a eficácia do instrumento. Os números mostram também que apenas cerca de 5% das medidas protetivas são descumpridas, e, quando isso ocorre, os autores respondem judicialmente.

Violência não é só física – Sileide Azevedo lembrou que a Lei Maria da Penha define a violência contra a mulher para além da agressão física, incluindo violência moral (xingamentos e ofensas), psicológica (ciúmes excessivos, controle), sexual, patrimonial, entre outras.

“Fazendo cessar esse ciclo de violência que ocorre diariamente na vida dessas mulheres, nós podemos, sim, evitar o feminicídio”, enfatizou.

Responsabilidade de todos – Por fim, a delegada reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva e fez um apelo à população para denunciar casos de agressão. As denúncias podem ser feitas pelo 190, da Polícia Militar, ou pelo Disque Denúncia 197, da Polícia Civil, e ainda pelo 180 – Central de atendimento à mulher.

“Toda a sociedade precisa enfrentar conosco essa forma de violência”, concluiu.

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