header top bar

section content

VÍDEO: Relembre vídeo em que Iata Anderson explica como surgiu o apelido “Amigo do Rei”

Com uma história marcada pelo sucesso no Jornalismo Esportivo, o cajazeirense que morava no Rio de Janeiro desde a infância, faleceu aos 81 anos

Por Luiz Adriano

09/01/2026 às 17h54 • atualizado em 09/01/2026 às 18h01

Em uma entrevista histórica ao jornalista Luiz Santoro, no canal Memória Manchete, o cajazeirense Iata Anderson explica com bom humor e emoção, como surgiu o apelido que o acompanhou por toda a carreira: “Amigo do Rei”. A alcunha nasceu da relação profissional e pessoal construída com Pelé, ao longo de décadas de convivência no jornalismo esportivo.

No depoimento, Iata relembra um episódio emblemático envolvendo uma entrevista exclusiva com o maior jogador de futebol de todos os tempos. Segundo ele, a imprensa inteira aguardava por Pelé, mas o craque não atendia a ninguém.

“As feras estavam todas lá, a imprensa estava toda lá. Ele não estava atendendo a ninguém. Eu consegui que ele me atendesse pelo telefone”, contou.

Pelé, então, teria dado instruções específicas para que Iata chegasse até ele sem ser percebido pelos demais jornalistas.

“Ele mandou eu subir pelo outro elevador, o dos fundos. Eu subi, ele deu a entrevista — por sinal, muito boa, como sempre. No final, ele falou: ‘Só vou responder para você, que é meu amigo’”, recordou.

A frase dita por Pelé não ficou restrita aos bastidores. Pouco tempo depois, o comunicador Osmar Lopes Leão teria brincado com a situação ao chamar Iata de ‘Amigo do rei’.

O próprio Iata reconhece que bastou aquela única menção para que o apelido se tornasse definitivo.

“Bastou uma vez. Até hoje eu tenho que contar essa história todo dia”, disse, rindo.

Longe de se incomodar, o jornalista afirmava que o apelido sempre lhe trouxe alegria e boas lembranças.

“Isso me diverte e, acima de tudo, me traz uma lembrança muito boa de um cara fantástico, maravilhoso, extraordinário, que foi Edson Arantes do Nascimento, o Pelé”, afirmou, visivelmente emocionado.

Iata Anderson ao lado do Rei do Futebol – Foto: divulgação

No mesmo vídeo, Iata também deixa uma reflexão que resume bem sua trajetória no jornalismo e na vida.

“A história não é escrita por nós. Ela nos dá alguns espaços para a gente preencher. E você preenche da melhor maneira que quiser.”

O depoimento ajuda a entender por que Iata Anderson não foi apenas um repórter que entrevistou Pelé, mas alguém que conquistou a confiança do Rei do Futebol — um privilégio que poucos tiveram e que eternizou seu nome na história da imprensa esportiva brasileira.

Iata ao lado do maestro Júnior – Foto: divulgação

Morte – O cajazeirense que morava no Rio de Janeiro, faleceu na noite dessa quinta-feira (8), aos 81 anos. Ele passou mais de uma semana internado no Hospital Badim, na Tijuca, Zona Norte do Rio, e não resistiu a complicações de saúde decorrentes da idade.

Iata Anderson começou na Super Rádio Tupi, em 1970, e também passou pelas rádios Globo e Tamoio, além da TV Manchete.

Na sua estréia no Maracanã como repórter, entrevistou Samarone, o “Diabo Loiro”, ídolo do Fluminense. Em pouco tempo, fez dupla com Denis Menezes, outro ícone do jornalismo esportivo. Deois retornou à Tupi e se juntou a Doalcei Camargo, Gerson, Celso Garcia, Rui Porto e Ronaldo Castro para cobrir sua primeira Copa do Mundo, em 1978, na Argentina. A segunda foi em 1986, no México, pela TV Manchete.

Iata retornou à Tupi em 2007, onde participou do “Bola em Jogo”, aos domingos, de 12 às 15 horas, considerado um dos melhores programas esportivos do rádio carioca de todos os tempos. Trabalhou também na Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) como responsável pela assessoria de imprensa.

Infância pobre e com violência doméstica

Iata Anderson era um dos quatro filhos de Maria de Lourdes de Oliveira, dona de casa que sofria violência doméstica do marido e pai deles, que era alcoólatra. Para dar um basta na situação, dona Maria e a irmã dela, Anita Rolim, fugiram de Cajazeiras rumo ao Rio de Janeiro levando as crianças. As duas enfrentaram os desafios da cidade grande e do machismo para conseguir educar os garotos. Iata, então, viria a se tornar um dos maiores nomes da imprensa esportiva brasileria.

Doação histórica para Cajazeiras

O desembargador Siro Darlan, irmão de Iata, anunciou nesta sexta, no programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão, que irá doar para o Museu do Futebol de Cajazeiras todo o acervo de camisas históricas do futebol brasileiro que seu irmão colecionou durante a trajetória na imprensa esportiva.

O Museu do Futebol de Cajazeiras, fundado pelo professor Reudesman Lopes, já contém doações feitas por Iata Anderson, como uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, que era o amigo mais ilustre do cajazeirense.

Veja a entrevista completa com Iata Anderson no Memória Manchete:

DIÁRIO ESPORTIVO

Recomendado pelo Google: