VÍDEO: Mestre em Metodologia de Ensino aponta possíveis causas do baixo IDEB de Cajazeiras e sugere medidas
Professor Ivo Lavor comentou sobre o levantamento feito pelo Diário do Sertão que mostrou o baixo desempenho do município de Cajazeiras no último IDEB e na qualidade do aprendizado dos alunos do ensino fundamental da rede pública municipal
Professor Ivo Lavor, que é mestre em Metodologia de Ensino e colunista semanal do programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, comentou nesta quarta-feira (07) sobre o levantamento feito pelo Diário do Sertão que mostrou o baixo desempenho do município de Cajazeiras no último IDEB e na qualidade do aprendizado dos alunos do ensino fundamental da rede pública municipal.
Com IDEB de 5,8, Cajazeiras obteve um desempenho educacional razoável, mas abaixo da meta para algumas etapas, representando um avanço em relação a anos anteriores, mas ainda com desafios para superar. Na maioria dos indicadores levantados pelo Diário do Sertão no portal QEdu, a “cidade que ensinou a Paraíba a ler” é superada por Sousa e Patos, as duas principais concorrentes no Sertão paraibano.
Como não conhece por dentro a gestão educacional de Cajazeiras, professor Ivo Lavor fez algumas conjecturas genéricas acerca de possíveis motivos para o baixo desempenho educacional na rede municipal. Ele supõe que o município possa estar com carência de profissionais especialziados em educação ou então esses profissionais existem, mas o projeto não está dando certo.
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No IDEB dos anos iniciais (1º ao 5º ano), por exemplo, Cajazeiras obteve nota 5,8. Apesar de ter alcançado a meta, o município ficou abaixo de Sousa (com 6,2) e Patos (com 6). Já nos anos finais (6º ao 9º ano), a nota despenca para 4,5 nas três cidades.
Ivo Lavor considera que dois fatores são essenciais para o sucesso de qualquer projeto: “respeito e entrega”. No primeiro caso, ele orienta o município a fazer um diagnóstico sobre competências e desempenhos para saber se cada profissional da Secretaria de Educação de Cajazeiras – entre gestores e professores – está ou não na função que ele mais domina.
“A pessoa que lidera o espaço educacional, especialmente o secretário, tem que ter a sensibilidade de alocar as pessoas nos lugares certos e tem que haver um respeito total. Quando eu falo respeito, eu estou me referindo a uma coisa mais ampla. Se a pessoa tem potencial de estar na sala de aula, mas está na gestão, você está perdendo um professor. E se você tem um professor que está atuando na sala de aula e ele seria bom como gestor, você está perdendo”, explica Lavor.
“Nós temos que entender que nós não sabemos de tudo. Quem lidera na política, não entende necessariamente de educação. Mesmo que a pessoa seja um professor ou uma professora, ela tem limitações quando se trata de um sistema educacional. Uma coisa é eu saber ministrar uma aula, outra coisa é eu saber liderar uma universidade, outra coisa é eu saber liderar uma secretaria. Então, essas competências precisam ser alocadas urgentemente para acontecer os resultados”, reforça o colunista.
Falhas no aprendizado adequado
5º ANO – No indicador que confere o percentual de estudantes com nível de aprendizado considerado suficiente para a etapa (nível Proficiente ou Avançado no SAEB), Cajazeiras obtém 51% em Português e 42% em Matemática, ou seja, novamente não consegue superar suas duas concorrentes. Sousa ficou bem à frente com 62% em Português e 53% em Matemática. Patos, por sua vez, aparece com 56% em Português e 48% em Matemática.
9º ANO – Cajazeiras também fica atrás, com 32% em Português e apenas 12% em Matemática. Sousa surge com 38% em Português e 17% em Matemática. Patos alcança 33% em Português e 16% em Matemática.
Com relação ao fator “entrega”, Ivo Lavor compreende que a prefeita Corrinha Delfino quer bons resultados na educação – sobretudo por ser professora e ex-secretária da pasta -, mas cabe a ela diagnosticar se está havendo dedicação suficiente dos seus comandados. “O gestor tem interesse nos resultados. Se não estão acontecendo esses resultados, é preciso a liderasnça verificar urgentemente se não está está havendo a entrega”, enfatiza o professor.
Infraestrutura é importante, mas quem faz a educação são as pessoas
Nos dados de infraestrutura (Anuário da Educação Básica 2024), 100% das escolas públicas municipais de Cajazeiras têm alimentação e energia elétrica. Porém, 78% usufrui de água tratada; 68% conta com rede de esgoto e 85% tem coleta periódica de lixo.
Alguns aspectos pedagógicos ainda são escassos, como por exemplo laboratórios de ciências (apenas 18% das escolas); bibliotecas (43% das escolas) e laboratórios de informática (48% das escolas). Outro equipamento escasso são as quadras de esportes (28%).
No entanto, professor Ivo Lavor destaca que nem sempre o problema das falhas de aprendizado está ligado à infraestrutura das escolas. “O que faz uma educação acontecer é gente. Gente capacitada numa sala de aula com quadro e giz pode ter mais resultados do que uma escola climatizada, com todos os aparatos tecnológicos que nós conhecemos. As condições são necessárias, mas é um pano de fundo. Se tiver as condições de trabalho, mas não tiver um projeto assertivo, as condições vão ficar lindas nas fotos, mas os resultados não vão acontecer”.
ENTREVISTA COMPLETA COM PROFESSOR IVO LAVOR
DIÁRIO DO SERTÃO
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