O Brasil da desigualdade
Por Alexandre Costa (*)
“Defendo que o Bolsa Família seja urgentemente repensado, ampliado e transformado num potente e vigoroso mecanismo solidário de inclusão social”
Ao divulgar o novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do ano de 2019, um indicador que afere o nível de bem-estar social, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra para o mundo números vergonhosos para uma nação que se arvora em deter a hegemonia socioeconômica nos países da América Latina. No mundo, despencamos cinco posições no nosso IDH (índice em que quanto mais próximo de 1, mais o país é desenvolvido), caindo da posição 79ª para 84ª, chegando a 0,765. E agora amargamos a sétima posição entre os nossos irmãos latino-americanos. Um vexame!
Nos dois extremos do levantamento temos na 1ª posição, a Noruega, um país nórdico, modelo clássico de um país super desenvolvido, lidera o ranking com um IDH de 0,957. Na 189ª, e na última posição, o Níger, um miserável país africano de baixo desenvolvimento humano com o IDH 0,394. E são precisamente entre estes dois extremos que a cada dia se acentuam as mais profundas e gritantes desigualdades socioeconômicas da humanidade.
Todavia, mesmo com a queda do nosso IDH em 2019 no ranking mundial, ainda continuamos classificados pela ONU como um país de alto desenvolvimento humano. No ranking nacional registrou-se avanços pífios, que foi 0,762 para 0,765 entre os anos de 2018 e 2019, onde os principais fatores utilizados na composição desse índice apresentaram aumentos desprezíveis com uma renda per capita de US$ 14,263, uma expectativa de vida de 75,9 anos e a média dos anos escolaridade estacionada em 8 anos.
Mas é no quesito desigualdade que o Brasil afunda, quando o PNUD toma por base um outro indicador, o IDH-D, que mede o nosso desenvolvimento humano a partir de fatores de desigualdade. O IDH do Brasil cai de 0,765 para 0,570, uma queda vertiginosa de 35%. Esse é o nosso Brasil desigual com quase 14 milhões de pessoas vivendo em estado de extrema pobreza, com renda de pouco de 5 reais por dia, onde 1% mais rico da população abocanha quase um terço da renda nacional, nos inserindo na nona posição no ranking dos países mais desiguais do mundo.
E as tão propaladas políticas públicas de transferência de renda em curso no país para mitigar essa danosa e crescente concentração de renda não surtiram efeito? Eu diria: Não! O nosso principal programa de redução de desigualdade social, o Bolsa Família, falhou. Além de não atrelar qualquer contrapartida em trabalho ao beneficiário, ele agravou fortemente a concentração de renda, onde as condições de vida dos 50% mais pobres foram melhoradas às custas dos 40% que compõem a classe média, excluindo os 10% mais ricos que continuam livres a concentrar riqueza em larga escala. Um desastre!
Apesar de se encontrar defasado e totalmente divorciado da nossa realidade, o social, hoje atravessando a maior emergência sanitária dos últimos 100 anos, defendo que o Bolsa Família seja urgentemente repensado, ampliado e transformado num potente e vigoroso mecanismo solidário de inclusão social.
(*) Alexandre José Cartaxo da Costa é engenheiro com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, empresário, presidente da CDL Cz, diretor da Fecomércio PB e membro da ACAL.
Cajazeiras, dezembro de 2020
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